Mito, possessão e sexualidade no candomblé

Joãozinho da Goméia, primeiro Sacerdote homossexual.

A fim de sugerir o orixá pessoal daquele que acaba de chegar, é comum o povo-de-santo se remeter, por exemplo, à sexualidade assumida pelo recém-chegado. Um indivíduo cujo comportamento é acentuadamente feminino, logo será categorizado como filho de orixá feminino. Mitos e arquétipos serão lembrados para explicar comportamentos, condutas ou preferências sexuais e que destoam, muitas vezes, dos padrões dominantes na cultura brasileira. (…) De receptáculo a recipiente, são muitas as metáforas empregadas na definição do corpo-moradia temporária dos deuses:vaso, vasilhame, veículo etc. Todos lhes proporcionam hospedagem. Para ser hospedeiro, exige, quando preciso for, uma reconfiguração das noções de gênero. Estamos a dizer que além de possibilitar a aproximação entre dois mundos distintos e distantes (mundo terreno e mundo ancestral), a possessão é um eficaz operador de alteridade. Em outras palavras, independente da orientação homo ou heterossexual, um homem pode ser consagrado às deusas Iansã, Iemanjá ou Oxum e rodar-no-santo paramentado com trajes, adornos e outros objetos rituais femininos.

# Milton Silva dos Santos [link do artigo]
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