Sexo, gênero e homossexualidade. O que diz o povo-de-santo paulista?

Preconceito e discriminação se encontram disseminados, explícita ou dissimuladamente, em todos os lugares e religiões. Contudo, se comparado com outras crenças, o candomblé tem se mostrado mais aberto aos homossexuais, permitindo-lhes ocupar todos os postos previstos na hierarquia ritual. Embora estejam entre os que menos discriminam o indivíduo por razões de preferência sexual, os candomblecistas reproduzem certos discursos e argumentos articulados à moralidade cristã e que dão sustentação à hierarquia de sexo/gênero. Conforme o depoimento de outro sacerdote, a base do candomblé nagô-queto praticado no Brasil só prevê o “masculino” e o “feminino”. “A gênese ioruba – acrescenta – pensa no homem e nas diversas coisas que o homem pode ser. Ele pode ser branco, preto ou amarelo. Ela só não contempla o terceiro sexo”. [link do artigo]

Comentário:
Embora a moralidade cristã possa estar presente nos Terreiros de Candomblé, fruto das articulações históricas com a Igreja Católica (por imposição) e com a Umbanda (por dinâmica natural), a verdade é que não existem concepções religiosas que prevejam a homossexualidade como elemento natural da humanidade, uma vez que a sobrevivência da espécie sempre assentou na relação entre o masculino e o feminino. Todavia, é errado afirmar que a hierarquia religiosa só prevê o masculino e o feminino, na acepção proposta no artigo. De fato, a hierarquia só prevê masculino e feminino, enquanto género, mas importando se esse masculino é na orientação feminino, e vice-versa.
Outro aspeto tocado no artigo e que é de extrema sensibilidade, trata-se do comportamento ritual dos fiéis. Refere Milton Silva dos Santos, autor do artigo, que a homossexualidade nem sempre é bem-vista nos Terreiros de Candomblé, particularmente se o sacerdote for heterossexual. Na verdade não se trata de mal encarar a homossexualidade, no caso citado, o que se trata, isso sim, é a necessidade de manter uma certa aparência de seriedade, respeito e simplicidade inerentes à prática religiosa do Candomblé. Não se aceitam comportamentos enérgicos ou de euforia, contrários à seriedade ritual. Portanto, não se trata da homossexualidade per si, mas antes de comportamentos indecoros, e o que muitas vezes se chamam, nos candomblés, de “veados histéricos”. Essa feminilidade festiva é mais largamente presente nos Terreiros em que o sacerdote é homossexual, por arrastamento dos próprios comportamentos assumidos pelo líder da Casa.
Seja como for, essa questão sensível da seriedade e da feminilidade expressiva alimenta muitas vezes falsas interpretações acerca da relação de alguns Terreiros com a homossexualidade. Se a orientação sexual do sujeito não influi na aceitação e integração nos meandros da Casa, comportamentos indecoros e/ou desrespeitosos influem, independemente da sexualidade do sujeito que os pratica. O fuxico é sem dúvida um elemento integrante das comunidades-terreiro.
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One thought on “Sexo, gênero e homossexualidade. O que diz o povo-de-santo paulista?

  1. gerdal de souza costa diz:

    Mukuiui .gostei muito do artigo referente a homosexualidade de sacerdote dentro do kanduambele muito rica a materia .mais percebo que em nzo de ngola se tem bem menos sacerdotes e mona muhato e mona diala com.opção homosexual em comparação a outras raizes ou melhor nações .gostaria muito de saber o porque se tem alguma coisa a ver com a ou por ser ngola .antes de mais nada gostaria de deixar claro que nao tenho nenhum tipo de preconceito referente ao assunto oque me importo e com o respeito da porta do nza pra dentro home de calça e mulher de saia .sem mais fico grato

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