Candomblé, a origem da ecologia

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Kosi ewe, kosi orixá”

Sem folha não há vida, sem folha não há Orixá, diz a tradição yorubá importada para o Brasil com a mão-de-obra escrava, e que consubstancia a verdadeira experiência naturalista e panteísta da religião Candomblecista. Numa época em que o debate sobre a premência de salvaguarda do ecosistema se tornou transversal às sociedades modernas ocidentais, reforçado pelo protocolo de kyoto, é fundamental olhar as religiões afro-brasileiras, em particular as diversas nações do Candomblé, como exemplo de equilíbrio entre vivência religiosa/comunitária e ecosistema.

O ditado popular yorubá-nagô, kosi ewe kosi Orixá, representa o princípio fundamental de que a Natureza é a mãe de toda a vida, porque ela se liga directamente com as divindades-Orixás, ao ser elemento e representação simbólica da matéria central da divindade. Os negros yorubás, fons e bantus, fundaram a sua religiosidade com base em dois princípios vitais: a memória dos gloriosos antepassados e a força divina da natureza. Esses dois pressupostos transformaram-se, ou melhor, conjugaram-se tornando-se numa mesma realidade. Os antepassados são também forças da natureza. Assim, Oxum (Oșùn) rainha de Ijexá, representa também o rio Oxum que passa na mesma terra, Nàná, divindade fon, representa as lamas como origem das águas, Ossaîn (Òsónyìn) representa as folhas (ewe, insabas), matéria fundamental no Candomblé, onde são chamadas de “sangue verde dos Orixás”.

Nesse sentido, compreender o equilíbrio entre a natureza e o candomblé, a divinização do elemento natural, representa um caminho fundamental na compreensão do comportamento ecológico africano antes da consciência ecológica globalizada. Porque no momento em que o ecosistema se findar, em que não existirem árvores, plantas, águas naturais e cristalinas, pássaros de múltiplas cores, deixará de existir o Candomblé. A religião dos escravos anda de braço-dado com a preservação ecológica. Por isso, para o povo do candomblé e para a APCAB a preservação ecológica é uma questão de fé.

Ewé Gbogbo Kíki Oògùn

“Todas as folhas tem viscosidade que se tornam remédio”

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One thought on “Candomblé, a origem da ecologia

  1. Hudson ti legba diz:

    Com meus cordiais cumprimentos, venho por meio desta solicitar-lhe sua atenção, a fim de somarmos nossos esforços para realização do projeto que estamos desenvolvendo dentro de Estado de Minas Gerais.
    Com prazer, fundamos a UNICAM – União dos Candomblés Mineiros, que será um site acessado por qualquer interessado na Cultura Afro-brasileira, adquirindo esclarecimentos, data de eventos, nomes e endereços das Casas de Matriz Africana do Estado de Minas Gerais.
    Todos os dados inseridos em nosso site são repassados pelos dirigentes das casas e sua atualização, como por exemplo: inserindo datas de festividades que será feito pelas próprias casa Pelo site http://www.candomblemg.com.br http://www.candomblebrasil.com.br
    O intuito é concentrar neste site, dados para pesquisas em geral e especificamente escolares e dando a devida conotação que a Cultura de Matriz Africana têm em nosso Estado.
    Diante disto, gostaríamos de verificar junto a possibilidade de firmarmos uma parceria, a fim de dar suporte para este trabalho de concentração de dados, visto que estas casas estão presentes em todos os municípios do nosso Estado.
    Na certeza de contar com sua habitual presteza, ficaremos no aguardo do seu pronunciamento.

    Atenciosamente,

    Hudson André

    Ògán Ti legbà

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